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Enquanto Campina Grande esquece o passado, Recife resgata a raiz do São João

Crônica de uma Ausência Anunciada: O São João que Esquece a Sanfona e Abraça o Camarote

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Enquanto Campina Grande esquece o passado, Recife resgata a raiz do São João
CAMPINA GRANDE — A menos de duas semanas para o início do ciclo junino de 2026, uma ausência na programação do Parque do Povo ecoou mais forte do que o som de qualquer triângulo. Santanna, O Cantador, uma das vozes mais viscerais e fiéis ao legado de Luiz Gonzaga, foi oficialmente deixado de fora d'O Maior São João do Mundo.
O desabafo recente do artista no Pipoca Cast — "Eu só quero entrar onde me cabe. Quando o contratante não me quer na grade, eu tô fora" — escancara uma realidade incômoda que se arrasta há anos: a crescente desvalorização do forró autêntico em Campina Grande, que parece cada vez mais disposta a sacrificar suas origens no altar do mercado fonográfico e do turismo de massa.



A Estética Pop contra o Fole da Sanfona
Ao analisar a grade de 2026, o contraste com a história da própria festa assusta. A inclusão de megaestrelas nacionais como Roberto Carlos e Marisa Monte atrai manchetes e vende camarotes, mas abre um paradoxo preocupante. No exato período em que a UNESCO debate o forró como Patrimônio Imaterial da Humanidade, o principal palco da Paraíba reduz o espaço de quem mantém o gênero vivo o ano inteiro.
O historiador Severino Vicente aponta que o modelo atual rompeu com o senso de comunidade da festa. O que antes era uma celebração da identidade nordestina converteu-se em um megafestival genérico. Santanna resume o sentimento de uma classe esquecida de músicos tradicionais:

"Já existia uma vontade de tirar a gente. Eu, Flávio José... uma espécie de trabalho para tirar a gente".



O Contraste que Vem de Pernambuco
Enquanto Campina Grande cede à "colonização cultural" criticada por seus próprios artistas, o São João do Recife 2026 adota uma postura diametralmente oposta. Sob o tema cirúrgico de "Nossa Raiz", a capital pernambucana montou um circuito que descentraliza a festa sem perder a identidade.
Recife acolheu o mesmo Santanna rejeitado na Paraíba, colocando-o como peça central ao lado de gigantes como:
  • Elba Ramalho
  • Geraldo Azevedo
  • Alceu Valença
  • Lia de Itamaracá
Nos polos recifenses, como o Sítio Trindade e o Pátio de São Pedro, o foco cultural permanece no coco, na ciranda e no forró pé-de-serra, provando que é possível fazer um evento de apelo turístico sem expulsar os guardiões da tradição local.


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Fonte: Mídia PB

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